Por Ricardo Schütz

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Linguagem é um elemento de relacionamento humano.

A criança, mais do que o adulto, precisa de contato humano para desenvolver habilidades linguísticas. Crianças têm grande resistência ao aprendizado formal, artificial e dirigido. Elas só procuram assimilar e fazer uso da língua estrangeira em situações de autêntica necessidade, construindo seu próprio aprendizado a partir de situações reais. Se perceberem que a pessoa que deles se aproxima fala sua língua materna, dificilmente se submeterão à difícil e frustrante artificialidade de usar outro meio de comunicação.

Além disso, só crianças conseguem assimilar uma segunda língua com pronúncia isenta de desvios. Isto torna a qualificação do facilitador um elemento de importância fundamental. Se ele falar inglês com sotaque estrangeiro e com desvios idiomáticos que normalmente caracterizam aquele que não é nativo, a criança os assimilará, provavelmente para sempre. Portanto, além de habilidade no plano afetivo, o facilitador deve ter um domínio do idioma equivalente ao de língua materna; melhor ainda se for um falante nativo e tiver dificuldade com a língua materna da criança, pois isto reforça a autenticidade do relacionamento que se pretende construir e possibilita a inversão de papéis, fazendo a criança sentir-se por vezes superior e, dessa forma, desenvolvendo-lhe a auto-estima.

A criança não é ensinada, ela aprende. A nós cabe apenas criar o ambiente propício. Esse ambiente, ao contrário dos ambientes de adultos, que tendem a ser conceptuais e abstratos, deve ser material e concreto, com amplo espaço para improvisação e criação. No plano psicológico-afetivo deve haver uma conexão forte entre aprendiz e facilitador. Este deve saber desempenhar um papel mais de assistente e menos de líder, abrindo espaço nos momentos em que o aprendiz se predispõe a assumir a liderança.

Predeterminar o rumo desta relação através de um plano didático seria como criar um manual sobre como construir amizades ou como conquistar uma namorada. Atividades predeterminadas, sem lugar para improvisação, são intrusivas, inibem a criatividade e desrespeitam diferenças individuais. Quaisquer materiais ou atividades planejadas por adultos estariam na contramão, correndo o risco de se configurarem num subject-matter-centered plan, quando o que se deseja é um child-centered plan.

Portanto, se a escola que você visitar não souber demonstrar conhecimento e preocupação com o aspecto psicológico-afetivo do ambiente de aprendizado e apenas lhe mostrar orgulhosamente o material didático específico para ser usado com crianças, saiba que este não é o ambiente ideal para seu filho.

Como Escolher Uma Escolinha de Inglês Para Crianças

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